sábado, novembro 03, 2012

uma Constituição que obriga ao Estado Máximo

O mundo mudou por Luís Tribuna:
A recente proposta de “refundação do memorando” (à boa maneira tuga, já se gastaram rios de tinta a discutir a terminologia) visa, no fundo, redefinir o papel do Estado na sociedade e redimensioná-lo em consonância. É ponto assente que o País não consegue sustentar este Estado paquidérmico e ele tem de emagrecer numa base estruturante. De nada vale cortar despesas hoje numa base transitória para amanhã voltar a repô-las. E isto, por muito que custe a alguns, vai obrigar a substituir a actual Constituição, que obriga a muita da despesa rígida em que o Estado hoje incorre. Qualquer constituição que se preze, tem de estabelecer limites claros ao poder do Estado; a nossa maximiza-os .. a nossa obriga ao Estado máximo.

Acabou-se o dinheiro, o crédito e o Estado deixou há muito de comandar a rotativa das notas. Temos uma Constituição que obriga a gastar o que não há e um sistema político com um claro défice de representatividade, em que impera a partidocracia. Ambos estão em rota de colisão com a realidade, que ameaça esmagá-los. Isto coloca a esquerda e a direita estatista num estado de completa impotência em que tudo recusam – subida de impostos, redução de despesa, reforma do Estado – mas nada têm para oferecer. A recente indignação do PS por causa da vinda dos técnicos do FMI, não passa de ridículo fait-divers para disfarçar que continua como a avestruz.

O mundo mudou (a frase mais assertiva de Sócrates), mas muitos continuam em estado de negação.

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