sexta-feira, novembro 16, 2012

visão marxista das relações de trabalho

a empresa a quem a trabalha:
O que é que explica que a Constituição permita, incondicionalmente, que os trabalhadores possam paralisar uma empresa e a sua produção, e proíba o correlativo direito da parte contrária, isto é, a paralisação da empresa pelos empresários? A visão marxista das relações de trabalho, para a qual os verdadeiros proprietários do capital são os trabalhadores, os únicos que verdadeiramente o produzem, e não os empregadores, que mais não são, nesta triste interpretação do mundo, do que exploradores que vivem à custa daqueles. «A terra a quem a trabalha», lembram-se?…
da greve por Rui Albuquerque
A protecção constitucional do direito à greve resulta de uma visão marxista da sociedade e do mundo do trabalho, para a qual a empresa não é um local de cooperação social em que todos participam em proveito próprio, mas o palco onde se trava a luta de classes entre opressores e oprimidos, a classe dominante e a classe dominada, a burguesia e o proletariado, explorados e exploradores.
Por outro lado, se o «direito à greve» pode ser usado como forma de protesto de trabalhadores contra as medidas de um governo, por que razão não é reconhecido esse mesmo direito aos empresários (o «lock-out» expressamente proibido no artigo 57º, nº 4 da C.R.P.)? Não podem, também, os empresários suspender a produção das suas empresas para protestarem contra medidas do governo que os prejudiquem?
.. É graças a essa conflitualidade instigada pelo próprio estado e pela sua lei constitucional, que estamos como estamos: cada vez com menos empresas e empregadores, o mesmo é dizer, com um maior número de desempregados.

O direito à greve, sobretudo quando utilizado como arma de arremesso político, é inimigo do trabalho e dos trabalhadores.

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