segunda-feira, novembro 12, 2012

Willkommen Frau Merkel

Willkommen Frau Merkel:
Dá ideia que não nos interessam os problemas e as suas origens nem busca das melhores soluções. Basta que haja alguém a quem possamos atribuir a responsabilidade primeira e última das nossas desgraças que já ficamos reconfortados e revigorados.

Precisamos de um rosto no saco de boxe? De um nome para animar as manifs? Ela aí está. Angela Merkel é, nos dias que correm, o rosto das causas e consequências da desgraça portuguesa. Pouco importa a real responsabilidade da chanceler alemã pela nossa desgraça (que é nenhuma) e pela terapia que está em curso - que é escassa.

Fomos nós, colectivamente, que nos trouxemos a este beco sem saída. Empresários, consumidores, banqueiros, contribuintes, trabalhadores, políticos e governantes - que, convém não esquecer, são eleitos em sufrágios cuja validade democrática nunca foi contestada. E foi um desses governos que assinou o memorando da troika a que o país se vinculou, que, de resto, mereceu também a aprovação dos dois partidos que agora governam. Democracia não são só direitos. Significa também que a responsabilidade é colectiva quando as políticas dos eleitos são desastrosas.
Carta a Merkel:
A senhora é a culpada maior de todos os males que aconteceram a esta terra nos últimos anos. É recebida, como diz Louçã, como uma assaltante que nos rouba encabeçando uma conhecida quadrilha de especuladores. É a líder de um pacto de agressão contra o País, diz Jerónimo de Sousa, a chefe de uma quadrilha internacional que decidiu esmifrar o tutano das nossas miseráveis carteiras. Mas desde logo vai perceber a nossa natureza. Somos pedinchões e aprendemos historicamente que a culpa é sempre dos outros. O nosso maior partido da oposição já lhe pediu mais investimento, centenas de analistas sabem que são inocentes e a culpa é sua. Está no país onde para beber uma cerveja, a bebida que tão bem conhece, pedimos tremoços. À borla, claro.

.. Temos .. uma boa experiência na preguiça, no ressabiamento e em declararmo-nos sempre inocentes.

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