sexta-feira, dezembro 07, 2012

A casa arde (3)

No seguimento de A casa arde (2),

Sistemas de segurança social 101,
Um sistema de redistribuição é um sistema que favorece o consumo, prejudica a poupança, descapitalizando a economia. O pior é que existe um gap temporal entre o problema e o seu impacto. No sistema de redistribuição apresentado acima, não há qualquer forma de, com um passe de mágica garantir a sustentabilidade dos níveis de consumo do 1º período. Antes pelo contrário, a solução terá que passar por reduzir ainda mais o consumo no 2º período para desviar recursos para a produção de redes e, inevitavelmente, colocar reformados a pescar.
Segurança Social falhou, e agora? por Carlos Guimarães Pinto:
A questão que se coloca hoje não é tanto se o actual sistema de segurança social falhou, porque é uma evidência para todos os que sabem fazer contas, mas o que fazer para o corrigir. Começo pelo princípio: não há soluções miraculosas que curem erros de 40 anos. Não é possível acumular o capital que não foi acumulado ao longo de 40 anos, nem criar um sistema que elimine a má gestão do passado. Os erros do passado terão que ser pagos e não existe nenhuma solução sem dor.
No entanto, há algo que temos que aprender com este erro: não podemos mais prolongar um sistema de redistribuição. Tem que ser criado um efectivo sistema de capitalização que não nos coloque num buraco ainda maior daqui a 30 anos. O estado não pode prometer reformas a todos aqueles que agora iniciam a sua carreira. Seria muito importante que o estado deixasse de mentir e dissesse claramente aos mais jovens para planearem a sua reforma, deixando de chamar a um dos impostos sobre o seu rendimento “descontos para a segurança social”. Porque esses descontos não são poupanças para a reforma como querem fazer passar, mas um imposto que serve para pagar as obrigações do estado português perante os actuais reformados. São um imposto que permite ao estado português cobrir um erro de 40 anos, mas que não garantirá uma reforma decente à geração que o está a pagar.

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