quarta-feira, dezembro 26, 2012

Artur Baptista Silva (2)

No seguimento de Artur Baptista Silva, Fraudes e autoridades
por Pedro Braz Teixeira:
.. Imaginemos que este suposto funcionário da ONU ocupava mesmo o cargo que dizia exercer. Teria algum jornalista contestado os seus erros factuais ou os seus “raciocínios”?

Quantas figuras temos nós em Portugal, com cargos muito elevados, que dizem torrentes de disparates que não são sequer verificados pelos jornalistas? Quantas vezes há uma enorme dificuldade de separar o trigo do joio no espaço público? Recordemos três exemplos.

O primeiro exemplo e paradigma máximo é o antigo primeiro-ministro José Sócrates. Ao pé dele, Artur Baptista da Silva não passa de um principiante, não tanto em termos de currículo publicado, em que também havia umas névoas, mas sobretudo pela sua extraordinária capacidade de faltar à verdade e fazer malabarismos com meias verdades.
Em Portugal, demasiadas vezes, o princípio da autoridade ganha ao princípio da razão. Lembra-se de como as críticas racionais aos erros de política económica do anterior governo eram descritas como “bota-abaixismo”? O mais terrível foi isso: não a ausência de críticas, mas o menosprezo com que estas foram tratadas.

Este país tem, assim, dois problemas graves. Em primeiro lugar, dá primazia aos argumentos de autoridade em relação aos argumentos da razão. Em segundo lugar, escolhe líderes maus. Se a prevalência da palavra do chefe sobre a razão já é mau, quando o chefe é medíocre ou desonesto isso é péssimo.

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