segunda-feira, dezembro 17, 2012

Haja caridade — também para com a matilha...

"Isabel Jonet" de Vasco Pulido Valente (via Memoria recente e antiga, scan):
Ao que parece, Isabel Jonet, tinha cometido o imperdoável pecado capital de dizer numa entrevista que preferia a caridade ao Estado social e, sobre isto, já de si claramente subversivo e provocatório, de invocar S.Paulo. Se as luminárias da Quadratura, por uma questão de curiosidade, se houvessem dado ao excessivo trabalho de ir ao site do Banco Alimentar, descobririam logo que ele não aspira a ser senão “uma resposta necessária mas provisória” a uma situação desesperada, porque o Estado deve garantir a qualquer pessoa “um nível de vida suficiente que lhe assegure e à sua família, a saúde e o bem-estar , principalmente quanto à alimentação, ao vestuário, ao alojamento, à Assistência médica” e ainda a toda a variedade de contribuições que se tornem necessárias. E, para que não restem dúvidas, o Banco Alimentar rejeita a “caridade condescendente” e define o seu trabalho como uma “opção de cidadania”, que, em última análise, se destina a contribuir para o advento de mais “justiça” social.

Quanto à dra. Isabel Jonet, que o anticlericalismo indígena escolheu para bode expiatório da sua impotência, é uma mulher estimável que, de repente, se viu metida no meio de um jornalismo espertalhão. Não sendo nem moralista, nem teóloga, nem política, falava com a maior inocência sobre si e o seu papel no Banco Alimentar, não lhe ocorrendo que se podia meter num sarilho ou suscitar uma polémica a cada palavra atravessou este pequeno tumulto com dignidade e boa fé. E suspeito que ganhou apoios para o Banco Alimentar .. Isabel Jonet mostrou que era uma senhora normal, honesta e franca – exactamente o contrário dos políticos que lhe ladram aos pés.

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