segunda-feira, dezembro 10, 2012

uma realidade impregnada de centralismo

O meu autarca é sempre pior que o teu por Daniela Silva:
.. não falta quem vocifere sobre a necessidade de cortar aqui e ali, passando rótulo de caciquismo a todos e vendo na centralização de competências, financeira, fiscal, a redentora salvação do país. É provável que estas opiniões, alicerçadas em quase nada, sejam apenas mais um reflexo da capacidade do governo em penetrar na opinião pública, criar agenda, desviar a atenção de outros assuntos e cimentar estes dogmazinhos. Como se não bastasse propagarem esta caracterização dos portugueses, conseguem transformá-lo num determinismo fatal que condena ao fracasso qualquer tentativa de reforma da administração pública por outro caminho. Um caminho que respeite as particularidades nacionais e que consiga, simultaneamente, incutir-lhe dinâmicas já testadas em outros países.

Bonita a teoria de que o localismo nunca pode resultar no nosso meio porque nunca aconteceu no passado; metam-lhe um laço e emoldurem. Não se esqueçam é de que estão a tentar adivinhar o que aconteceria num cenário de localismo, com base numa realidade impregnada de centralismo. Mas lá saberão o que estão a pensar. Não contesto que autoritarismo centralizado (ainda mais do que agora) metesse as contas em ordem, fechando completamente a torneira. Só não metia se não quisesse. Pois então, se é isso que têm para sugerir, expressem em voz alta e bom som. Não é uma receita muito original mas se é aí que depositam a vossa fé e se o localismo não resulta, esclareçam isso sem ambiguidades. Se não é por aí que querem ir, então talvez seja melhor pararem de fomentar esse excepcionalismo negativo sobre os portugueses para justificar a existência de um carrasco como se isso fosse mudar a natureza do homem.

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