quarta-feira, janeiro 16, 2013

Credibilidade

Credibilidade por André Azevedo Alves:
A crença subjacente à recusa de cortes na despesa é a de que a prioridade do Governo deve ser estender a mão à "solidariedade europeia". Para sustentar um Estado que continua a viver muito acima das possibilidades do país, a derradeira aposta é o incremento das transferências via Bruxelas. Enquanto esta crença não for desmontada, continuará a ser politicamente vantajoso rejeitar o envolvimento na reforma do Estado. É por isso essencial frisar que o défice português é estrutural e que, num contexto de sobrecarga fiscal, ele só pode ser resolvido por via de cortes estruturais na despesa.

Como é imprescindível clarificar que, mesmo alienando o que resta da soberania portuguesa, ninguém no exterior estará disposto a sustentar permanentemente esse défice estrutural. Este deverá ser o discurso do Governo. Mas para que os seus apelos sejam credíveis, é preciso também dar o exemplo: ao contrário do que fez até agora, o Governo deve dar prioridade à implementação de medidas de redução estrutural da despesa.

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