quarta-feira, janeiro 09, 2013

É o capital, estúpido!

É o capital, estúpido! por Carlos Guimarães Pinto:
.. coloca-se a pergunta: com tanta gente bem preparada no desemprego, como é que não se criam mais empresas que arrumem com estes patrões mal preparados do mercado? A resposta é simples: não há capital.

“Não há capital”. Dito assim, ninguém entende exactamente qual é o problema. O predomínio da retórica de esquerda na política e nos mídia nos últimos anos fez com que o capital se tornasse numa entidade esotérica, cruel, que “explora o trabalhador” e empobrece o país. Nada que se queira ter por perto, portanto. Mas a economia não se compadece com esoterismos retóricos. A acumulação de capital, através da poupança e de uma alocação eficiente de recursos, é condição necessária para o crescimento económico sustentado. Quanto mais capital acumulado, mais rico e produtivo será o país, e mais emprego existirá. O capital complementa a qualificação humana: sem capital não é possível aplicar as qualificações adquiridas e aplicá-las de forma produtiva. Em linguagem simples, sem aviões para pilotar, um piloto será tão produtivo como um empregado de mesa. Um engenheiro a trabalhar ao balcão de um restaurante será tão produtivo como alguém com a quarta classe. Sem capital, não emprego nem criação de riqueza.

O país anda há tantos anos a perseguir esse homem de palha do grande capital que acabou por conseguir o que sempre quis: expulsar o capital privado, ficando apenas com o grande capital que depende do estado e com o capitalzinho das nano-empresas familiares que sobrevivem de mês a mês. Os resultados estão à vista: desemprego e emigração de pessoas qualificadas porque a “geração mais bem preparada de sempre” não pode ficar num país sem capital para a empregar.

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