sexta-feira, janeiro 18, 2013

romper com consensos

Excertos de De que falamos quando falamos em consenso? por Adolfo Mesquita Nunes:
O que nos trouxe aqui, já o repeti vezes sem conta, foi o modelo socialista de desenvolvimento que, ao longo de décadas, com maior ou menor gradação, foi sendo seguido em Portugal.

Esse modelo obteve um consenso político e social extraordinário. Meço bem as palavras: todos os partidos, à sua maneira, participaram do consenso socialista das últimas décadas.

Tanto assim foi que a oposição que se foi fazendo, à esquerda ou à direita, nunca questionou esse modelo socialista. Foi preciso que o país tivesse de pedir ajuda externa para que, pela primeira vez, aparecesse um embrião de reflexão, partidária mas não só, sobre o modelo de desenvolvimento que temos seguido.

Se as políticas que nos trouxeram a esta crise mereceram um consenso perigosamente transversal, será uma ilusão pensar que aquilo que nos pode tirar desta crise obterá, nos próximos tempos, qualquer coisa parecida com consenso.

Não tenhamos ilusões: quebrar com o modelo socialista é o caminho a seguir; e o modelo socialista é o caminho que mais consenso tem gerado. Conseguir romper o consenso com consenso não é propriamente coisa que se peça.
Os comentadores que apoiaram as políticas que nos arruinaram, as associações que beneficiaram das políticas que nos arruinaram, as elites que conviveram bem com as políticas que nos arruinaram e os agentes sociais que fizeram parte das políticas que nos arruinaram são vozes que devemos sempre respeitar, mas às quais não temos de pedir autorização para governar.

Sem comentários:

Enviar um comentário