sexta-feira, janeiro 04, 2013

Tiranias socialistas

Os tiranetes dos costumes por João Luís Pinto:
Mas mais do que isto, esta evolução da liberdade de fumar para uma “licença de fumar” tem o condão de demonstrar os danos expectáveis para as liberdades individuais que se consumam pela existência de um sistema de Saúde universal, financiado de forma compulsiva por todos os contribuintes. A existência de um sistema deste género consuma, em primeiro lugar, a colectivização dos custos associados às externalidades negativas de todos os comportamentos e escolhas humanas com consequências na saúde individual, instituindo dessa forma um mecanismo de free-riding para muitos. Mais: este processo de colectivização, sendo pouco eficiente por fomentar o risco moral e a diluição do risco individual, e por inevitavelmente acabar associado a mastodônticas instituições públicas, acaba por ser, pela sua própria natureza, insustentável. Ora essa insustentabilidade e essa natureza colectivista são o terreno fértil para sustentar cruzadas e para alimentar argumentos utilitaristas, à escolha e acessíveis aos detentores do poder. A partir daí, o céu é o limite. Todas as escolhas individuais com impacto neste domínio – o que se poderá dizer que é praticamente tudo – passam a estar no jogo do que é autorizado e do que é proibido, ultrapassando-se qualquer conceito de liberdade individual.

Não se pode andar de carro sem cinto porque é caro. Não se pode andar de mota sem capacete porque é caro. Não se pode comer comida que não obedeça aos ditames escolhidos porque é caro. Não se pode fazer parapente porque é caro. Não se pode ter smart-shops porque é caro. Não se pode utilizar drogas porque é caro. Não se pode fumar porque é caro. Mas pode-se beber álcool, beber café, abortar ou fazer contracepção com pílulas do dia seguinte porque é modernaço ou se dá de comer a uns tantos milhões de portugueses.

Independentemente de o risco dessas escolhas ser pessoal, e as consequências também, nada como os tornarmos “de todos” para que as hordas proibicionistas se possam então imiscuir no que cada qual faz ou deixa de fazer.

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