domingo, fevereiro 17, 2013

Sodoma fiscal

Sodoma e Camorra:
Venho por este meio confessar um delito, o de não exigir facturas aos comerciantes. Se as facturas forem emitidas automaticamente, atiro-as ao lixo. Se as facturas me forem úteis para efeitos de garantia do produto, procuro guardá-las algures (e consigo perdê-las logo a seguir). Mas se as facturas apenas pretenderem denunciar uma transacção às Finanças para que estas beneficiem de um processo que lhes é moral e materialmente alheio, não contem comigo.

Convencido de que o cumprimento universal aliviaria os contribuintes cumpridores, houve um tempo em que o bem-comum me parecia mais importante do que a margem de lucro dos particulares. Hoje, sei que, salvo pormenores, o bem comum é largamente uma artimanha propagandística e que os particulares em causa saberão dar à verba um destino melhor do que os senhores que nos governam: qualquer que seja o destino e quaisquer que sejam os senhores, não existe alívio para o contribuinte, excepto na medida em que invariável e crescentemente é aliviado do que é seu. Se o dono do restaurante X aproveita os rendimentos não declarados para adquirir um Mercedes ou 2 mil pares de sandálias, antes o Mercedes e as sandálias do homem do que o patrocínio de amigalhaços, grevistas, excedentários e aberrações em que o Estado desperdiça considerável parte do saque fiscal.
Os resultados do nosso trabalho já são extorquidos em quantidade suficiente e segundo métodos impossíveis de contornar. É da mais elementar lucidez resistir, dentro do possível, a extorsões adicionais .. os verbos "levar" ou "apanhar" chegam e sobram para um Governo com aura liberal, hábitos socialistas e processos napolitanos.

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