segunda-feira, março 25, 2013

Chipre

A questão do Chipre é de complicada análise - ou melhor, de impossível resolução - não porque o sistema financeiro está baseado numa aldrabice contabilistica.

Há por aí uma baboseira a correr no FB em que A deve x a B, e B deve x a C, e C deve x a A; e que seria "fácil" anular as dívidas, e as pessoas não precisariam viver em função das mesmas. É pirosamente bonito, mas não é assim que as coisas funcionam. No mundo real, em virtude do socialismo monetário em que vivemos (inventado para financiar os Estados à custa de inflação futura), há muito mais dívida do que activos que a sustentam, pelo que é impossível anular a dívida. Não sem fazer brutais writeoffs. Qualquer solução sistemática passa por aí, o que é politicamente inadmissível.

Encontrar uma "solução" unicamente para o Chile para já não altera nada do sistema (aliás pode argumentar-se que o objectivo de tal solução é perpetuar o sistema), e porque não é possível fazer a quadratura do círculo, fazendo honrar todos os compromissos, necessariamente obriga a um cálculo pollítico - a quem prejudicar. Nestas coisas quem se lixa é o mexilhão, e os depositantes apanharão sempre com o grosso do ajustamente, seja directamente, seja indirectamente pelo colapso, que é inevitável, seja a seguir, com o colapso do Chile, ou seja um dia, com o colapso do sistema financeiro.

A maior parte dos raciocínios procura salvaguardá-los (aos depositantes), e existem muitos raciocínios, mas suponho que se resumam a "não têm culpa causal" (mas "menos" terão os contribuintes europeus, não é verdade, e os bancos falindo lá se vão os ditos depositantes). Existe uma contra-corrente que diz "não, isto de meter dinheiro nos bancos é arriscado, têm de participar" (fechando os olhos à imoralidade do sistema - isto de aplicar conceitos de "livre mercado" a mercados viciados em que tais conceitos só reforçam o socialismo instituído...).

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