terça-feira, março 19, 2013

Mente-me

Mente-me, por favor por Helena Matos:
O Estado que havia de tomar conta de nós do berço à cova - agora até às cinzas porque os cemitérios são uma coisa antiga que nos lembra que existe morte - tornou-se num monstro ávido de dinheiro que esbulha o possível e o impossível a uma população que o seu intervencionismo reduziu à anomia. Ninguém é responsável por nada mas apenas o resultado de uma política de apoio ou de um acto de discriminação. A própria demografia passou a ser confundida com os abonos de família.

Todos os dias mentimos e nos mentimos para tornarmos aceitável hoje o que ontem condenávamos: uma intervenção como a que agora foi feita no Chipre era dita impossível na UE, campeã tão campeã dos direitos que não há semana em que não legisle sobre o bem-estar das galinhas e dos porcos.

Pois o que era impossível tornou-se possível e a UE, essa estrutura tão democrática que não pode ser votada, continuará a impor os seus critérios de democracia às suiniculturas e às "questões de género" na composição dos conselhos de administração das empresas, enquanto os seus políticos garantem hoje que não é possível o que já sabem que vai acontecer amanhã.

Mas se alguém se pensa apresentar a votos dizendo isto não levará nem os votos da sua família. Se calhar nem o seu próprio voto. Porque nós somos como os amantes que no tango suplicam: "Ay/ abrázame esta noche/ aunque no tengas ganas/ prefiero que me mientas".

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