quarta-feira, abril 10, 2013

Socialismo geracional (2)

No seguimento de Socialismo geracional, Conflito geracional por Michael Seufert:
E vistas bem as coisas estamos perante um problema não só económico, como também ético. Os sucessivos governos e parlamentos do passado – sem qualquer embate com a nossa Constituição – permitiram-se em nome dos eleitores de hoje endividar o país para lá de qualquer limite razoável ..

O problema, naturalmente, leva-nos ainda a caminhos mais profundos: pode por exemplo alguém que não vota, ou que vota pela redução da despesa pública e dos impostos ser depois carregada com os impostos decorrentes da opção de terceiros por mais despesa pública? .. O que fica para hoje (para amanhã, na verdade) é mesmo a dívida que os nossos filhos vão pagar em nosso nome e do nosso estado.
A Constituição .. Permite que se onerem por via da dívida gerações de portugueses que ainda nem nasceram e já devem dinheiro. Está-lhe, ainda, subjacente um sistema de Segurança Social que torna os mais jovens, sobretudo na actual configuração da pirÂmide etária, garantes de direitos adquiridos .. sem reais expectativas de terem iguais benesses. E, claro, não tem uma palavra de solidariedade intergeracional quando estão causa encargos assumidos por outras vias, como a das PPP. Merece por isso, em nome da dignidade humana que diz defender que se possa rever profundamente. Porventura revogar mesmo para escrever uma nova .. uma Constituição que limite a acção dos governos e governantes face aos direitos, liberdades e garantias que devem ser cimeiros num texto fundamental – incluindo os direitos dos até agora esquecidos.

2 comentários:

  1. Os cortes alternativos (a conhecer nos próximos dias) terão um impacto mais recessivo sobre a economia que os cortes chumbados pelo TC, porque recairão sobre os agentes mais fragilizados neste momento económico: as pequenas e médias empresas.
    http://jornalismoassim.blogspot.pt/2013/04/gloriosa-republica-socialista-portuguesa.html

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  2. Meu caro,

    - Eu não sei se os cortes vão ser melhores ou piores -- não me dediquei a pensar nisso, tanto ainda não se sabe o que aí vem, e francamente não sei se o meu raciocínio seria acertado o suficiente.

    - Nem tão pouco tenho prazer sádico que haja gente a sofrer, muito menos quem menos conseque fazer pela vida. Obviamente há que talhar o monstro definindo prioridades, e não falo de prioridades socialistas - uma exigência seria a progressividade não aumentar.

    - o facto é que o "Estado Social" é o sorvedouro que está a mandar o país pelo país cano abaixo; e é de elementar racionalidade de gestão que se encare o problema de frente...

    AA.

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