terça-feira, abril 09, 2013

Socialismo geracional

Conflito e traição por Helena Matos:
O nosso conflito não é portanto entre agentes políticos, institucional ou com os nossos credores. O nosso conflito é entre gerações: o país ficção que fomos levou as gerações mais velhas a blindarem-se em proteccionismos que condenam as gerações futuras. Os trabalhadores de hoje pagam reformas, apoios e subsídios que eles nunca terão a gente que todos os dias se queixa de estar a perder os seus direitos adquiridos.

Milhares de jovens adultos gastam horas de vida em engarrafamentos nas vias que os levam aos subúrbios onde estão as casas que foram obrigados a comprar porque leis oficialmente muito virtuosas de protecção aos inquilinos acabaram com o mercado de arrendamento. (Inútil será a acrescentar que também pagam com os seus impostos os inúmeros programas de recuperação dos centros urbanos condenados à ruína por essas mesmas leis protectoras dos inquilinos).

Sindicatos dirigidos por uma gerontocracia inamovível negociaram contratos e acordos em que os direitos dos mais velhos cresciam à medida que aumentava a desprotecção dos mais novos: note-se que foi preciso vir a ‘troika' para que se criasse o subsídio de desemprego para os trabalhadores a recibo verde!

O conflito ou melhor dizendo a traição a que se assiste em Portugal é entre as gerações que receberam em 1974 um país em que a dívida pública equivalia a cerca de 14% do Produto Interno Bruto (PIB) e aquelas que agora o recebem com a dívida em 120% do PIB. O resto é apenas estratégia para não ficar mal nos livros de História.

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