quinta-feira, maio 02, 2013

Cargo Cult Tuganomics

Confundir o sintoma com o a doença por Joao Miranda:
Um dos problemas do Plano de Álvaro Santos Pereira para o crescimento é a confusão entre sintomas da falta de crescimento com causas subjacentes da falta de crescimento. Uma situação típica de Culto da Carga. Um exemplo mais flagrante é a forma como o problema do crédito é encarado. Não há crédito na economia, diz-se. Mas isso é apenas um sintoma de problemas mais profundos. Do lado da oferta de crédito, é um sintoma um sistema bancário a sofrer as consequências dos erros cometidos no passado. Os bancos não dão crédito porque eles próprios não são credíveis e não têm acesso fácil a crédito. Do lado da procura de crédito, não há projectos suficientemente bons para que valha a pena arriscar emprestar dinheiro. Não há projectos suficientemente bons porque a procura por bens e serviços não transaccionáveis implodiu e a economia ainda não se reestruturou para se adaptar à procura de bens transaccionáveis. Os empresários que pedem mais crédito são os da antiga economia não transaccionavel. O que o plano de Álvaro Santos Pereira faz é tratar a doença disfarçando o sintoma. Há falta de crédito? Então injecta-se crédito forçando a banca a arriscar em projectos pouco interessantes. Contribui-se desta forma para agravar a credibilidade da banca e para promover projectos inviáveis.

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