quarta-feira, julho 03, 2013

Educação e Agricultura

Educação e Agricultura por José Manuel Moreira:
Tive uma colega na Universidade que .. foi desafiada a passar um fim-de-semana na Holanda .. ficou surpreendida .. cerca de 70% dos agricultores na Holanda eram engenheiros agrónomos.
A surpresa maior foi verificar, quando regressou, que em Portugal cerca de 70% dos engenheiros agrónomos trabalhavam para o Ministério da Agricultura. Percebe-se a ideia. Já naquele tempo os nossos licenciados não gostavam de se sujar: coisa mais para gente de Países Baixos.
Um contraste que ajuda a perceber o porquê de nos países ricos proliferarem os mercados e nos pobres os burocratas. Compreende-se, por isso, que, em vez da melhoria do sector, os agrónomos-burocratas se concentrassem na busca do melhor lugar .. ainda sobrava tempo para a reelaboração de planos falhados e medidas condizentes, acompanhados agora por ineptas entidades reguladoras e mirabolantes observatórios.
A comparação poderia alargar-se a outros ministérios. Mas hoje - em clima de greves espúrias - o que mais importa é a analogia com o da Educação. Durante anos sempre que alguém descobria não ser talhado para professor, logo admitia que o ideal seria ir para o Ministério ou para uma das Direções Regionais, ou então seguir a via sindical. No caso das Universidades, há também a ida para a Reitoria. O objectivo será sempre fugir a dar aulas e poder avaliar e dar ordens aos outros. Um sistema que criou uma monstruosa máquina de infernização em que as políticas educativas, em vez de servirem os alunos, se servem deles como peças de uma engrenagem em que burocratas e sindicalistas se unem no temor à descentralização e à verdadeira liberdade de escolha. Tudo por amor ao centralismo: que fecha escolas, mas não o Ministério.
Em tempos, Nuno Crato defendeu, como bem lembrou Bruno Proença, a implosão do Ministério para salvar a Escola. Não só não o fez como terminou uma entrevista à RTP1 dizendo existir liberdade de escolha em Portugal. Estamos conversados. Merece, como os professores, continuar nas mãos dos "Mários Nogueiras" do nosso tempo.

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