segunda-feira, agosto 26, 2013

O consumo moralista

O consumo moralista:
Com menos dinheiro para distribuir entre o eleitorado, a moral socialista diz ser preciso aumentar os impostos sobre os ricos. A ideia de que são os ricos os prejudicados com o aperto fiscal peca por falsa, mas é suficiente para acalmar os espíritos de quem a pratica. Ademais, o ódio à riqueza, tantas vezes dissimulado numa aversão à poupança, é a cereja em cima de um raciocínio culpabilizador de quem poupa e pretende usar o dinheiro sem prestar contas a quem quer que seja.

Convém ter em conta que o Estado social tal como o conhecemos não se limita a ajudar os pobres: visa colocar o Estado no centro da actividade económica. Esta concepção estatal, vislumbrada por Keynes nos anos 20/30 do século xx, implica que as pessoas gastem. Melhor: foi pensada para fazer do consumismo a base do crescimento económico. Keynes não pretendia ajudar os pobres, que já recebiam apoios do Estado, nomeadamente os desempregados. Queria que a economia, numa época de depressão, crescesse à força do consumismo.

Esta ideia keynesiana é a base do socialismo de hoje. Atente–se agora no paradoxo: o socialismo, que se moraliza por defender os pobres, pressupõe que se gaste. A virtude não está em poupar e investir, em criar postos de trabalho com bases sólidas. É preciso consumir desenfreadamente, nem que isso implique uma dívida desmesurada. É preciso que os estados e as praças financeiras especulem e criem dinheiro para gastar. O socialismo é a união de vários males num só.

Sem comentários:

Enviar um comentário