terça-feira, setembro 24, 2013

Primeiro as pessoas

Primeiro as pessoas por José Manuel Moreira:
Foi assim que, dos 5% do produto nacional até finais do século XIX, se chegou aos cerca de 50% de gasto público. Transformando o Estado, dito social, numa monstruosa máquina democrática de redistribuição compulsiva da riqueza da sociedade por três vias: transferência, tomando aos Pedros (favorecidos) para dar aos Zés (desfavorecidos); fornecimento de bens e serviços gratuitos ou a baixo custo, confiscando a uns (os contribuintes) para dar a outros (os utilizadores); e por meio das diversas formas de regulação ou de proteccionismo.
Ora, sem o reconhecimento dos efeitos perversos desta máquina de redistribuição da riqueza e rendimento, torna-se difícil compreender o porquê de na época contemporânea se ter reforçado a tendência para o agravamento do processo de infantilização e degeneração moral da sociedade civil. Um processo de redução do incentivo a trabalhar, a poupar ou a investir... mas também de tranformação de pessoas previdentes em irresponsáveis e de adultos em crianças...
Ora, só pondo a nu o princípio organizador das nossas sociedades - o clientelismo político - se percebe como um Estado protector de direitos se transformou numa fraudulenta máquina de redistribuição. E se entendem tantas resistências e espúrias concertações. Até ao dia em que reformas "politicamente impossíveis" se tornem "economicamente inevitáveis"...

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