domingo, novembro 03, 2013

Rant Liberal do Dia

Dediquei algum tempo a reler os meus feeds RSS em atraso. Dei por mim a pensar se as regras de argumentação lógica são universais.

Explico. É sabido que os fenómenos humanos não podem ser descritos ou explicados de forma exclusivamente racional. A política é um fenómeno humano. É legítimo que o que entendemos como falácias lógicas não se aplique à discussão política?

Esticando a analogia, a objectificação "racional" do ser humano tem sido um veículo para muitos socialistas. Cientistas ou não, entendem que é possível "maximizar" o "bem comum". Ora, será a lógica, e a honestidade intelectual, uma ferramenta socialista? Seja ou não, é legítimo usá-la para mostrar a incoerência dos socialismos. Mas justifica-se argumentar em nome do conservadorismo (e até do liberalismo clássico) fazendo gato-sapato da lisura retórica - não por uma questão de expediência ou de resultados ("os (bons) fins justificam os (maus) meios"), mas porque tal linha de acção é legítima?

Pode (ou deve!) a argumentação anti-socialista (ou pró- qualquer coisa que não cabe a mim definir) utilizar casual ou sistematicamente ferramentas como os "argumentos à autoridade", os "homens-de-palha", os "argumento à emoção" -- e tantos outros, catalogados (por outros certamente) como "cancros de pensamento"?

Nem pergunto se não há formas alternativas de defender essas ideias, nem sobre a validez dessas mesmas ideias. Pergunto se para determinadas ideias é "moralmente" necessário rejeitar o fair-play intelectual, da mesma forma que quem diz ter "fé" rejeita sujeitá-la a um estrito escrutínio analítico.

Ou se tudo isto não será fruto de erro, sobranceria, ou canalhice.

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