quinta-feira, dezembro 12, 2013

a esquerda das vontades contra a realidade

O Vítor Gaspar de Loures:
Para muita gente à esquerda, a austeridade é uma opção ideológica, sem outra explicação. A ação política não tem limites. Por isso, só há cortes, porque há "neoliberais", ansiosos por liquidar o Estado social.

Se não houvesse "neoliberais", nunca faltaria dinheiro. Vamos admitir que o mundo é assim, feito apenas de vontade e de representação.

Acontece que existem muitas vontades, e cada vontade tem um limite nas vontades contrárias. É essa a razão de não haver dinheiro em Loures. Porque em Loures há provavelmente dinheiro — não na Câmara, mas nos bolsos e nas contas bancárias dos seus residentes. Bernardino, sensatamente, pressupõe que a vontade dos munícipes não é entregar-lhe rendimentos e poupanças. Na Coreia do Norte, poderia expropriá-los, através de nacionalizações ou de inflação, e "reeducar" os recalcitrantes. No Portugal do euro, não pode. E mesmo no reino dos Kim, nunca conseguiria ir além do que os seus súbditos produzissem. É isso a "realidade": aquilo que resiste à nossa vontade e à nossa ideologia.

Durante anos, na Assembleia da República, Bernardino teve apenas de verter soundbites. A "realidade" nunca o incomodou. Foi preciso ir a Loures. Àqueles que fantasiam "alternativas", é necessário lembrar: em Portugal, durante muitos anos, governar será sempre ir a Loures.

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