sábado, janeiro 11, 2014

contra euro-socialismo

Mesquita Nunes. "Uma maior integração política na União Europeia não protege Portugal" com Adolfo Mesquita Nunes (AMN):
.. cedemos demasiada soberania a Bruxelas. É importante identificar as áreas e analisar as matérias em causa. Há demasiada centralização na definição das políticas económicas, por exemplo. A solução passa pelo retorno da União Europeia às três liberdades em que foi criada: de circulação de pessoas, bens e serviços. Por outro lado, passa pelo reforço do princípio da subsidiariedade. Ou seja, permitir que os Estados criem condições para que as suas empresas vençam. Preocupa-me que no debate europeu só se fale de soluções políticas para uma crise que é essencialmente económica, como se o modelo político pudesse resolver os problemas das nossas empresas.
Quando os estados têm políticas intervencionistas, seja através de quadros regulamentares, seja através de financiamento público, condicionam a actividade económica - que naturalmente lhes responde e se adapta. Podemos estar a correr o risco de ter empreendedores e empresas a olhar para que fundos disponíveis e para que áreas são apoiadas, em vez de começarem as suas ideias de negócio precisamente pela apreciação do que deve ser um negócio de futuro. Quando um estado ou uma união de estados escolhe e dá prioridade às áreas de actuação em que as empresas devem investir, se essa escolha estiver errada, toda a economia sofre com isso, ao passo que, se forem milhões de escolhas individuais, umas falharão, mas outras conseguirão sucesso. O risco com modelos como o actual é que os erros sejam multiplicados e contaminem toda a economia. Não acredito numa Europa que se fecha mas numa Europa que se abre. Não acredito numa Europa que crie mais e mais regulamentação mas numa que liberalize a existente.
Costumo dizer que uma das razões por que o turismo em Portugal pode progredir é não haver uma política europeia de turismo. Não preciso de me preocupar com o prejuízo da minha quota de turismo sobre países concorrentes com o meu. Nem me preocupo se as minhas ligações aéreas fazem Portugal um país dominante na América do Sul e nas ligações ao Brasil. Seria prejudicial ao turismo que tivéssemos de começar a acomodar as nossas opções estratégicas em função de interesses da Europa como um todo.

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