quarta-feira, janeiro 29, 2014

O fetiche da balança comercial

O fetiche da balança comercial por Telmo Azevedo Fernandes:
Um "deficit" nas transacções internacionais de mercadorias não reflete necessariamente uma economia débil. De igual modo, um "superavit" não é automaticamente sinónimo de pujança económica. O saldo da balança comercial tende a ser pró-cíclico, aumentando o deficit quando a economia expande e diminuindo quando a economia desacelera ou entra em recessão. Os anos de mais rápido crescimento económico em Portugal foram acompanhados por deficits da balança comercial.

Note-se que não estou a afirmar que o "deficit" gera crescimento económico. O que cria riqueza é o comércio internacional, sejam exportações, sejam importações. A balança comercial é, tão só, a diferença entre o valor em euros do que compramos lá fora e o valor do que recebemos pelo que vendemos ao exterior. Em termos estatísticos, normalmente acontece que o "deficit" acompanha períodos de expansão.

Ninguém nos obriga a importar ou exportar. O comércio internacional acontece por vontade própria e autónoma das partes. Se temos um "deficit" é porque, no nosso interesse, retiramos benefícios das transacções comerciais que lhe subjaz. Se cada troca é benéfica para os envolvidos (caso contrário não se estabeleceria essa relação), por que razão a soma de todas as compras e vendas ao estrangeiro resultaria em algo prejudicial para o país?

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