terça-feira, junho 23, 2015

O País dos Fachos

O País dos Fachos por Ricardo Lima:
O português é aquele tipo que questiona o porquê de determinado fulano – ou entidade – não pagar taxas ou licenças e nunca o porquê dessas mesmas taxas ou licenças existirem. Vivemos numa luta de classes distópica em que grupos de interesses se tentam, diariamente, enterrar uns aos outros. Os fumadores que não bebem estão-se marimbando para as taxas sobre o álcool, quem bebe e não fuma aplaude as taxas sobre o fumo. Os taxistas querem ver a Uber pelas costas mas ai de quem taxe os turistas que a clientela voa – e não é para cá. Não nos entendemos. Com o mal do outro convivemos nós bem ..
Vivemos num país maioritariamente católico mas não nos amamos uns aos outros, longe disso, quanto mais respeitar a vontade do próximo. Somos chicos-espertos socorrendo-nos do nosso chico-espertismo para entalar o próximo, que tomamos sempre como um chico-esperto a tentar entalar-nos com o seu chico espertismo.
O que presentemente ocorre com a Uber em relação aos Táxis é o que se vem passando com as bancas de cerveja e as garrafeiras em relação aos bares, com os hostels em relação aos hotéis, com as tascas típicas em relação a alguns restaurantes, com as low-cost em relação à TAP, com os produtos da China e com outros infindáveis casos. É a treta da certificação e dos padrões de qualidade. É a história do cumprimento exímio da lei, da protecção do consumidor, da monitorização e do raio que nos parta. Somos um país de pequenos fascistas. A concorrência é uma coisa chata.
Se para pagar impostos um tipo quase precisa de uma pós-graduação em contabilidade, a burocracia é uma coisa aborrecida, medonha, quase kafkiana. Mas se o vizinho do lado precisa de meia dúzia de requerimentos para pintar as paredes ou mudar o portão do quintal acha-se muito bem. Era o que mais faltava o indivíduo fazer o que lhe apetece com a própria casa .. há sempre um energúmeno a bater palmas ..
.. Enquanto nos acharmos no direito de intervir no espaço do próximo, através do Estado – de outra forma seria uma agressão – estamos a legitimar que este mesmo Estado intervenha no nosso. A história provou que os precedentes que abrimos são perigosos e a última década vem mostrando que cada vez menos existem limites para a esfera interventiva dos governos .. de facto, em Portugal, a burrice tem um passado glorioso e um futuro promissor.”

2 comentários:

  1. Esta civilização está a chegar ao fim. Tudo o que se pode fazer é remendar. O homem, o ser humano, tem de ser o objecto final da civilização. Contudo, descoberto o dinheiro, trabalhado ao mais alto nível, é nele que se objectiva toda esta sociedade. Ter dinheiro, é tudo! Distribuí-lo de forma justa é secundário. Assim, estamos a enterrar mais uma civilização.

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  2. Esta civilização está a chegar ao fim. Tudo o que se pode fazer é remendar. O homem, o ser humano, tem de ser o objecto final da civilização. Contudo, descoberto o dinheiro, trabalhado ao mais alto nível, é nele que se objectiva toda esta sociedade. Ter dinheiro, é tudo! Distribuí-lo de forma justa é secundário. Assim, estamos a enterrar mais uma civilização.

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